30 de março de 2011

"Não é porque certas coisas não mudam, que significa que elas sejam imutáveis. A mudança precisa vir do âmago e não devemos esperar que seja recíproca."
Eu viajo com os pés no chão. Fecho os olhos e me teletransporto. Tenho idéias tão loucas que só na minha cabeça já me fazem delirar. Consigo sentir esse prazer na ponta da língua, nos meus ouvidos e na pele arrepiada.


Quem me vê nesse transe lúdico deve ter as mais diversas concepções, e quem disse que eu me importo? Sou um louco assumido, viajo a toda hora, minha cabeça é cheia de países, sonhos, pessoas e até mundos. Vivo munido de toda fertilidade de pensamentos, imaginações... Os olhos fechados são meu passaporte.


Isso é importante? Não, só mais um devaneio meu. Quando abro os olhos volto à realidade insossa, desgastante, que consome minhas energias, mas não me proporciona nenhum prazer.

29 de março de 2011

Adrenalina

É que meu coração é movido a altas doses de adrenalina. Se ele não acelerar sempre não consigo viver. Não gosto de nada morno, eu gosto do que me tira o fôlego e me faz flutuar... Por isso sou uma colecionadora de amigos, amores e muitas aventuras.


E são essas emoções que, por vezes, me deixam em êxtase supremo, que me dão a sensação de que os pés tocam o chão somente quando necessário e quando não estou com um amigo a mil gargalhadas - sem medir os decibéis - com um amante em delírios, em planaltos sobre meus saltos ou por aí, por qualquer lugar me aventurando só ou acompanhada de alguém que não eu mesma.


Mas ainda que pudesse ser possuída por tais mãos, boas ou ruins, de mãos dadas ou entrelaçadas em meu entorno e eu em torno delas, não buscando firmeza, mas sim o calor ardente que me faz sentir viva e novamente pronta pra me aventurar por qualquer destino e para abraçar meus amigos. Apenas para guardar vocês em meus copos de cristal.


É essa adrenalina que faz bombear a minha vida e quem não puder me acompanhar que nem venha. Não se atreva! Só pode estar aqui quem ousa e quem gosta de uma boa dose de "tudo um pouco". Porque eu me arrisco e essa é a essência do meu ser, e se quiser que me aceite deste jeito. Sem tirar nem pôr!




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Textinho desenvolvido por mim e pelo Rubens, pessoa que descobri ter o mesmo gosto exótico pela escrita tanto quanto eu (rs). Abaixo um texto de Gabriel García Màrquez, que segundo minha irmã, é uma idéia parecida com a do texto acima:


"Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja.


Não me apetece ver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar e ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas - porque tenho uma mente fértil e delirante - e porque posso achar errado - e ter que me desculpar - e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia.


Quero grandes histórias e estórias; quero amor e ódio; quero o mais, o demais ou o nada. Não me importa o que é de verdade ou o que é de mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crêr que é para sempre quando digo convicto que "nada é para sempre"."




nota: No meu texto eu denoto a palavra adrenalina no seu sentido mais puro, e acho que no texto do García fica mais explícito o que é a adrenalina no nosso contexto: algo que realmente nos faz liberar e sentir prazer. O que não necessáriamente precisa ser um ato, mas sim, a vontade e coragem de sempre ir mais além, sem medir os riscos. Porque independente do que resulte, o momento é que faz transpirar a adrenalina, passando por cima dos medos e vivendo sem meio termos, sendo precisos e principalmente sem pensar no que há de vir amanhã.

11 de janeiro de 2011

Carta nº 147

"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está , que tem saudade... Sei lá de quê!"

(Florbela Espanca)

6 de janeiro de 2011

Amar

Muito tempo sem escrever aqui, mais de um ano! Nossa!
Fiz um textinho meio melancólico e achei bem legal. Defini (no meu ponto de vista) alguns aspectos que normalmente não conseguimos ver.

Lê:

"Quando nós amamos alguém doamos um pedaço de nós, seja sentimento, seja um pouco do nosso jeito, da nossa personalidade. Carinho, amor, tanto faz, mas sempre doamos esse pedaço do nosso 'eu'! Quando nos separamos, seja de um amor ou de um amigo, quando a perda é dolorosa, assistimos o retorno desse 'eu' nosso, esse pedaço que foi doado. Ele volta e com isso, aos poucos, voltamos a ser o que éramos. É como uma célula-tronco, que é extraída e depois colocada no lugar, regenera o pedaço ruim. Mesmo que a gente ache que é o fim, não é! É só mais uma passagem pela qual temos que passar e aquele pedacinho que foi dado e voltou, fica guardado e é doado novamente e recuperado sempre quando necessário. A separação é isso: a dor de perder, mas o prazer de recuperar, de ter de volta e regenerar...
Quando essa pessoa, receptora do nosso eu, se vai, tipo para sempre, para o outro lado da ponte, para o céu, ou seja, quando morre, este pedaço que doamos vai junto, a gente não consegue recuperar. E então é aí que surge o vazio, aquele sentimento de que não há com que preencher, dói muito e é dor física e dor na alma. Passa tempo e o que fica a saudade, a falta, aquele 'eu' que se foi e não voltará. Essa caminhada se torna difícil e tortuosa, mas ainda assim, nós seres-humanos, ainda somos capazes de doar, de se dar sem querer receber. Nós estamos sempre dispostos à dar um pedaço de nós e às vezes, a receber um pedaço de outro. Não importa o quanto se vá sofrer, o quanto vai doer, nós somos assim, prometemos o nunca mais que só dura até amanhã; nós somos assim feitos de amor e feitos para doar sempre e receber algumas vezes. Mesmo que a gente prometa não dá, é da nossa natureza amar sempre, amar contra vontade, mas amar... Amar infinitas formas de amor."

23 de setembro de 2009

Amo e Não Amo

Amo as coisas simples da vida, como minha família, marido, minha filha e meu enteado. Amo ver filmes e ler, e em ambos os casos sempre acabo dormindo (o que também amo). Amo andar ao ar livre, sentir cheiro bom, como terra molhada e flores, embora não seja chegada à flores pois sempre as achei muito fúnebres. Amo papear com minhas amigas, contar coisas e falar de asneiras. Não me considero fútil, mas adoro comprar e comer bem, afinal é pra isso que existe dinheiro. Amo sair para trabalhar, e estudar e conhecer. Eu amo ler e escrever. Amo olhar o céu, as nuvens de dia e as estrelas à noite, ver os pássaros e ouvir suas cantigas, ver as pessoas, as sentir, abraçar, beijar... Amo o tato. Amo ouvir e contar histórias, saber o porquê das coisas e obter respostas; amo aprender. Amo MPB do Djavan, Marisa Monte, Zé Ramalho, Cássia Eller, Jorge Vercilo, Ana Carolina, Vanessa da Mata e afins, amo os pagodes lentos e antigos e que muita gente acha brega (RS), música antiga que meu pai ouve e aprendi a gostar, hip hop lento, rock lento e um bom POP (de preferência estrangeiro), mas ouço todo o resto... Amo passar os dias em casa curtindo minha família, conversando e debatendo, deitada vendo televisão ou mesmo arrumando as coisas e deixando tudo no lugar. Amo Coca-Cola, Mc Donald's, doces, barras de chocolate, MM's, bombons Garoto, Nutella, bombom de Cereja, suspiro, comida boa, churrasco, saladas, camarão frito, lasanha, costela, dobradinha, caipirinha, suco de melão, kiwi, goiaba, fruta do conde, limonada, café, Sucrilhos, as comidinhas da minha vózinha, as que more faz e todas as coisas engordativas da vida. Amo principalmente compartilhar todos esses momentos e as coisas com a minha princesa, meu príncipe e meu rei. Me sinto realizada.
Não sou chegada às coisas sem conteúdo, pessoas falsas, hipócritas e tiranas. Não sou chegada àqueles que maltratam os filhos, gritam, batem e não conversam. Eles não os conhecem, não os entendem e não são presentes espiritualmente. Não sou chegada à pessoas acomodadas, que se acostumam, não têm ambição e ainda se justificam na fé, no carma ou sei lá o quê. Pelo amor, eu gosto de luz e não de escuridão. Não sou chegada à pessoas desorientadas, que não sabem conversar, não entendem nada, não conhecem o mundo, não têm cultura, não se aperfeiçoam em nada, vivem isoladas em mundos que só existem em suas cabeças. Não sou chegada à pessoas fúteis, que não se importam com os outros; seja altruístas e não egoncêntrico. Não sou chegada à pessoas que vivem tentando viver a vida dos outros, se importam demais, definem demais, julgam demais, mas no final fazem tudo isso por não serem iguais, por não terem o que o outro tem. Não gosto de quem não respeita o mundo, destrói a natureza e esquece que isso aqui é herança dos seus filhos e netos; não tolero quando não há bom exemplo. Não gosto de quem maltrata crianças, idosos e animais, abandonam e etc; isso é mal, é péssimo. Não sou chegada aos que ficam à toa, não cooperam com nada, não ensinam, não aprendem, não têm significados; estes são nada.
Eu sou mais um ombro amigo, um carinho, um chamego, uma conversa fiada. Quem se sente muito, não se vê! Não enxerga destreza, amplitude e imensidão na vida e em viver. Pessoas que vivem do ócio, trancadas em casa, atrás da tela de um computador ou televisão, não conseguem ver que isso não é oxigênio, apenas um meio de trabalho ou de comunicação. Vai para fora respirar, sentir, viver e resistir, o mundo está aí, ele é seu, aproveite! Esqueça todo o resto e sinta-se bem.
Não dou valor à quem não sabe o que é isso, e se dei, ops, eu fiz minha parte e não me arrependo. Não sou pedra, sou humana, injustiça e incapacidade se fossem bons eram vendidos.

3 de setembro de 2009

CREMATÓRIO DE CÉREBROS

É comum o horror diante da brutalidade de dirigentes que queimam livros e prendem ou matam intelectuais como o imperador chinês Shih Huang Ti, que 210 anos antes de Cristo, decidiu queimar todos os livros e matar todos os estudiosos de seu império. Até hoje, a Inquisição horroriza o imaginário da huminidade pelo crime de destruir livros e matar intelectuais durante a Idade Média. Em Berlim, no campos da Universidade Humboldt, há um local de reverência indignada no lugar onde Hitler queimou milhares de livros.
Mas não nos horrorizamos quando os livros são impedidos de serem escritos e os jovens de se transformarem em escritores. Indignamo-nos com a queima de livros e a prisão de escritores, mas não com a incineração de cérebros como se faz no Brasil, ao negarmos educação ao povo. Pior do que queimadores de livros, somos incineradores de cérebros que escreveriam livros se tivessem a chance de estudar. A História do Brasil é a história do impedimento de que livros sejam escritos e de que cientistas e intelectuais floresçam.
Quando os livros são queimados, alguns se salvam. Mas, se eles não são escritos, não há o que salvar. Quando os escritores se salvam, eles escrevem outros livros, mas, quando não aprendem a ler, queimam-se todos os livros que poderiam escrever.
O Brasil é um crematório de cérebros.
Ao nascer, cada ser humano traz o imenso potencial de um cérebro vivo e virgem. Como um poço de energia a ser ainda construído; pela educação. No Brasil, 13% dos adultos são analfabetos, apenas 35% concluem o ensino médio; destes só a metade tem uma educação básica com qualidade acima da média. Portanto, oitenta e dois porcento ficam impedidos de escrever e todos os livros que escreveriam são queimados antes de escritos. Como se o Brasil fosse um imenso crematório de inteligência.
As conseqüências são perfeitamente perceptíveis: basta olhar a cara da escola pública no presente para ver a cara do país no futuro. Apesar de nossos quase 200 milhões de cérebros, o quinto maior potencial intelectual do mundo, o Brasil continuará a ser um país periférico na produção de conhecimento. Da mesma forma como China regrediu intelectualmente depois de Shih Huang Ti; a Alemanha, com Hitler; a Península Ibérica, com a Inquisição; o Brasil está perdendo o potencial de seus cérebros interrompidos. O resultado já é visível; ineficiência, atraso, violência, desemprego, desigualdade, tolerância com a corrupção e a contravenção. Um país dividido por um muro da desigualdade que separa pobres e ricos - e separado das nações desenvolvidas.
Durante anos , falou-se no "decolar" da economia. Achava-se que para um país ter futuro, bastava educar uma elite, um pequeno conjunto de profissionais superiores a serviço da economia. Formamos uma minoria no ensino superior, escolhida depois de base, e perdemos o potencial de dezenas de nilhões deixadas para trás.
Ou o Brasil se educa ou fracassa; ou educamos todos, ou não teremos futuro e a desigualdade continuará; ou desenvolvemos um potencial científico-tecnológico ou ficamos para trás. Se a universidade é a fábrica do futuro, ensino fundamental é a professora primária que lhe tivesse ensinado as primeiras letras e as quatro operações. Albert Einstein não teria se tornado cientista. Nossos prêmios Nobel morreram antes de aprenderem as quatro operações. Não podemos formar inteligências enquanto formos queimadores de cérebros. Não podemos melhorar a educação superior sem uma educação realmente universal e de qualidade para todos.
Só o pleno desenvolvimento do imenso potencial de energia intelectual dos brasileiros permitirá derrubar o muro do atraso e o muro da desigualdade. Mas isso exige que o horror que sentimos por estrangeiros que queimavam livros e sábios seja transferido para nós próprios incineradores de livros que não foram escritos, de doutores que morreram analfabetos. Incineradores de cérebros.

(BUARQUE, Cristóvam. Crematório de Cérebros. Rio de Janeiro. Jornal O GLOBO. 27, Out. de 2007)